terça-feira, 14 de setembro de 2010

Descaracterização em andamento: será possível reverter?

A descaracterização do Parque da Água Branca já é uma realidade, e a depender dos gestores do Governo - Secretaria de Agricultura e Primeira Dama, vai continuar. Apesar dos questionamentos e problemas apontados pelos frequentadores do Parque nas várias reuniões solicitadas pela Associação de Amigos do Parque - ASSAMAPAB, que aconteceram entre os frequentadores e a administração do Parque, as obras continuam de qualquer maneira, em desrespeito ao tombamento do Parque e à manifestação dos frequentadores e da ASSAMAPAB.


Como era a mata que margeava o muro do parque na Rua Ministro Godoy,
entre o estacionamento e a sede do Fundo Social de Solidariedade.

O mesmo local (observe o prato pendurado) da foto acima,
agora totalmente desmatado, sendo preparado para virar a desnecessária
Trilha do Pau Brasil (que já está pronta).

O  Artigo 1 do tombamento diz que o Parque foi tombado como bem cultural, histórico, arquitetônico-urbanístico, tecnológico e paisagístico. E que entre outras coisas, que estão tombadas áreas arborizadas e ajardinadas. Fala ainda que "a introdução de novas espécies vegetais deverá ser cuidadosamente planejada a fim de se evitar alterações indesejáveis na ambiência."

Ao invés de aumentar a área permeável, a administração continua a criar
mais pisos em concreto, desrespeitando totalmente o tombamento
do Parque. De obra em obra, de acesso em acesso, com o passar dos anos,
teremos mais áreas concretadas do que terra e planta. Os novos projetos
em implantação, preveem muitos jardins cobertos com piso intertravável de concreto.

"Não será permitida a diminuição dos atuais espaços cobertos por vegetação em toda a área do Parque. O CONDEPHAAT incentivará a ampliação dos espaços permeáveis através da retirada do asfalto dos estacionamentos desnecessários, atualmente existentes." Sub-item b4, do artigo 1 do Tombamento


A administração do  Parque solicitou o corte de 45 árvores, porém a
secretário municipal do verde e meio ambiente (Eduardo Jorge) vetou o
corte de 12, isto é, 27% do total da solicitação. Das 12 que foram vetadas
constam 4 árvores mortas e 4 em péssimo estado, segundo relatório e
listagem dos próprios técnicos do parque. Por que o secretário vetou o
corte de árvores mortas ou em péssimo estado? O laudo estaria errado?


O que sobrou de uma das 33 árvores cortadas este ano,
por que um número tão grande? Falta de manutenção?
Com manutenção adequada, provavelmente seria necessário cortar
apenas as que morreram, pois o parque não teria tantas árvores doentes.


Está programado o corte de mais de 70 árvores, a maioria Pinus Elliottis.
Por exemplo, todas estas árvores (Pinus Elliottis) desta foto serão cortadas.
Serão removidos 63 Pinus do Parque. A justificativa dada em reunião pelo
engenheiro florestal, Sr. João Henrique, é de que os pinus caem com muita
facilidade, colocando em risco coisas e pessoas. Estas árvores
têm mais de 40 anos, segundo ele, e chegam a viver 80 anos ou mais.
Talvez fosse o caso de solicitar um novo laudo, de outro especialista, para comparar.


O Parque já sofre com a falta de manutenção geral, e agora com a proposta de novas trilhas, decks, pisos, pedriscos, corrimãos, teatro etc., como estarão daqui alguns anos, ou mesmo meses?




Para relembrar: este chafariz (?), de arquitetura duvidosa,
construido há alguns anos, totalmente abandonado, sem manutenção.

O mesmo para este passeio (também antigo) de cimento e tijolos.
Piso que ficou irregular com o desgaste dos tijolos. Esta é uma
proposta adequada para o Parque?

É urgente o desenvolvimento de um plano diretor para o Parque da Água Branca, que defina entre outras coisas, as intervenções arquitetônicas e paisagísticas, e os cuidados com os animais.


Contaminação 1: nas obras para instalação da fiação para a iluminação noturna,
ao invés de deixar o entulho na via, ele foi jogado no canteiro,
contaminando a terra do jardim. Onde está a orientação e acompanhamento
dos técnicos e supervisores do parque?



O Código Florestal Brasileiro considera de preservação permanente, a área num raio de 50 metros das nascentes, ainda que intermitentes,  e também dos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica. E que não é permitida nenhum intervenção nesta área.


Contaminação 2: As obras no Bosque das Palmeiras e Nascentes começaram.
Já foram destruidos dois dos três tanques d'água, na região da nascente.
O terceiro continua lá porque a escavadeira atolou no lodo e água que vasou dos
dois primeiros tanques. Para desatolar a escavadeira, foi jogado na terra o entulho
da demolição dos tanques. Toda essa sujeira além de estar infiltrando no solo...



... está escorrendo para o lago Negro, que já está com a água totalmente turva
e contaminada. Resta saber a situação dos peixes e tatarugas que lá vivem.


Para esta obra no Bosque das Palmeiras e Nascentes, estão sendo
utilizadas 3 retroescavadeiras! Com certeza para ir rápido com a demolição.
Mas como é possível 3 máquinas tão grandes manobrando dentro da mata
e junto dos animais? E o risco de prejudicar os olhos d'água, vegetação e aves?

Estas obras, que abrangem praticamente o parque inteiro, estão sendo supervisionadas pelos técnicos do parque e/ou DAEE* e Secretaria de Agricultura diariamente? Inclusive ao finais de semana?

* Departamento de Águas e Energia Elétrica. Órgão do Governo do Estado de São Paulo que elaborou o projeto de intervenção no Bosque das Palmeiras e Nascentes.